Essa série é uma das melhores que já vi!

Para quem ainda não está assistindo, Homeland é uma adaptação do seriado israelense Hatufim, que conta a história do Sargento Nicholas Brody e da agente da CIA, Carrie Mathison. Em uma missão no Iraque, Carrie descobre que um prisioneiro de guerra americano foi convertido, e que agora está trabalhando com a Al-Qaeda para planejar um atentado terrorista aos Estados Unidos. Já Brody, foi dado como morto um tempo depois de desaparecer em uma missão, também no Iraque, em 2003. Após oito anos, o sargento é encontrado vivo, e levado para os Estados Unidos como um herói nacional que sobreviveu aos abusos físicos e emocionais do terrorismo. Com a informação que tem em mãos, Carrie liga os pontos e deduz que Brody é o tal prisioneiro convertido, que voltou para acabar com seu país.
Esse é o plot básico de Homeland. Porém, a série vai muito além. Com um roteiro inteligente e ágil, passamos a maior parte do tempo tentando entender aqueles personagens. Pistas são colocadas aqui e ali, mas não sabemos se Brody realmente se converteu; ou se toda confusão é apenas parte da mente perturbada de Carrie, que tem problemas psicológicos. A tensão é tão bem feita que uma das melhores cenas que eu vi nesse ano foi em uma conversa dos personagens Brody e Carrie durante um final de semana na casa de campo da família dela. Toda a direção dos atores e a edição da cena, estiveram perfeitos. Porém, não é só com esses dois personagens que passamos aperto. Claro, a série se dá muito bem pela atuação de Claire Danes e Damian Lewis.
Danes está formidável. Sua atuação está longe de tudo o que eu imaginava para uma mulher perturbada que trabalha para o governo. Foge de qualquer clichê, qualquer piloto automático ou área de conforto. Carrie é capaz de tudo para provar que suas teorias estão certas, então ultrapassa inúmeras linhas, entupindo-se de segredos tanto para a família, colegas de trabalho e o próprio Brody, o que deixa a personagem extremamente tensa. Danes passa essa tensão com tanta maestria que não chega a parecer interpretação em nenhum momento. A atriz construiu tantas camadas para Carrie que ela é completamente instável. As ações da personagem são arriscadas e sem julgamentos, o que torna tudo mais ágil e explosivo, pois não sabemos seu próximo passo. Sabemos que toda série precisa ter elementos surpresas, mas com Carrie e Brody como personagens, Homeland cria um ar de suspense psicológico a cada episódio.
Tão bom quanto Danes, está Damian Lewis, no papel do sargento Brody. Ao passo que vamos conhecendo sua história, é difícil não simpatizar, mas ao mesmo tempo, não se aterrorizar com a vida do personagem. Por lembranças, ficamos sabendo de algumas coisas que aconteceram durante os oito anos em que Brody esteve como prisioneiro da Al-Qaeda e de como ele reage ao estar de volta ao “mundo normal”. Os medos, os pesadelos, o pânico na tensão corporal de Brody são tão bem interpretado por Lewis, que até sua respiração ofegante tentando ser controlada merece créditos. O retorno ao dia-a-dia, como nem saber o que é You Tube, é bem mostrado em Homeland. A família Brody é outro trunfo da série. Os filhos são ok, mas Jessica, a esposa, está sensacional sendo interpretada por Morena Baccarin, que sofre ao esconder segredos, ao mesmo tempo que está feliz em ver o então ex-marido, vivo. Jessica parece prestes a desmoronar em certos momentos, e em alguns realmente o faz, como em uma cena íntima específica entre ela e Brody, com uma atuação emocionante e melancólica de Morena.
No ambiente da CIA, ainda conhecemos mentor e amigo de Carrie, Saul, a quem Mandy Pantinkin dá vida. O ator é excelente, e a série não precisa de diálogos excessivos para expressar os sentimentos de Saul, pois Patinkin passa tudo pelo olhar. A série vai trabalhando as teorias de Carrie e seus problemas psicológicos interferindo no âmbito profissional e pessoal; enquanto acompanhamos a vida de Brody e sua família, nos deixando presos na cadeira para saber se ele realmente está trabalhando para a Al-Qaeda. Política e romance se intrometem no meio de toda a trama de espionagem, conspiração e suspense, deixando tudo ainda melhor. Não é a toa que a série está concorrendo a três WGA e três Globos de Ouro, incluindo melhor série e atores para Danes e Lewis.
Vale a pena conferir.
Texto retirado do Apaixonados Por Séries.
Abs
Luiz